São Paulo, 23 de Fevereiro de 2012
GESTÃO DE ABASTECIMENTO NO VAREJO
Por DANIEL MONTEIRO VAZ (DANIEL_M_VAZ@YAHOO.COM.BR)

No capítulo anterior, explicou-se a importância da definição do preço de venda para a composição do mix de margem de uma loja de varejo, e os impactos da redução de margens sobre a venda de determinados produtos. Demonstrou-se que o comportamento de venda de um produto pode ou não variar de acordo com alterações de preço, e com base nesses dados, o varejista pode realizar ajustes no mix para minimizar suas perdas com produtos promocionais. Neste novo capítulo, estaremos abordando os processos e conceitos envolvidos nas operações de retaguarda, buscando conhecer o funcionamento do abastecimento automatizado, cuja finalidade é o suprimento da mercadoria no momento certo e na quantidade certa. Conhecer este processo torna-se fundamental para compreensão do modelo de inteligência analítica que será proposto neste trabalho.

Este capítulo foi elaborado tomando por base observações in loco de processos realizados por uma companhia de varejo, com lojas distribuídas em diversas regiões do país, onde todo o processo de compra e distribuição ocorre de forma centralizada. Nesta empresa, a reposição é feita de maneira automática, podendo ocorrer de duas formas: através dos Centros de Distribuição (Cds), - onde o processo é controlado com maior intensidade - , e entrega da mercadoria nas lojas diretamente pelo fornecedor.  

1.1 Parâmetros de Abastecimento: Estoque Padrão

Para cada produto existente no cadastro comercial de cada loja, é necessário informar um parâmetro que representa a quantidade mínima que se pretende manter em estoque deste produto. Este parâmetro é denominado ESTOQUE PADRÃO (EP), e seu valor é geralmente determinado por informações de média diária de venda, Lead Time [1]do fornecedor ou do CD que supre a loja, aumentos inesperados da demanda e / ou atraso do fornecimento e a capacidade de armazenamento em gôndola. A principal função do EP (ou Estoque Objetivo) é manter um estoque mínimo de cada produto na loja para suportar a demanda de venda até a próxima entrega da mercadoria, evitando assim a ruptura (falta do produto). Este parâmetro deve ser elaborado considerando a demanda normal do produto, ou seja, expurgando as vendas promocionais, e sua revisão deve ocorrer periodicamente, com ajustes de acordo com as sazonalidades do setor. Por exemplo, no verão, deve-se reajustar o EP dos protetores solar, no final de ano deve-se reajustar o EP das aves natalinas, em Julho, reforçar o EP de farináceos; e assim por diante, pois certamente estes produtos terão um acréscimo de venda nesses períodos. Outro ponto de observação é a definição do EP para cada item, definição essa a ser feita com extrema cautela, uma vez que a parametrização errada de um produto pode provocar obsolescências ou rupturas no estoque; veremos, mais adiante, os impactos da gestão ineficiente de parâmetros.

Ilustrando com exemplo prático, vamos supor que a demanda média do azeite português Andorinha seja de 16 unidades por dia. Sabendo-se que o fornecedor ou o depósito abastecedor leva em média 3 dias para fazer o abastecimento deste produto na loja, conclui-se que a loja necessitará de uma quantidade mínima de 48 unidades para suportar a próxima entrega.



[1] Intervalo de tempo decorrido entre a colocação de um pedido e o seu recebimento no estoque



>>Comente Este Artigo!

Enviado por PRISCILA (cilinha01@yahoo.com.br) em 16/4/2010 (00:00)

Excelente!!

Enviado por JANESON (janeson_ccosta@hotmail.com) em 30/8/2011 (00:00)

Tudo que eu preciso saber de GA está aqui. Muito bom!